A comunidade quilombola do Matão, em Mogeiro, deu início no dia 31 de agosto a um processo formativo que vai além da sala de aula: a primeira edição do Curso de Agentes de Educação Popular e Saúde. A iniciativa marca um passo importante na valorização da cultura local e no fortalecimento de práticas comunitárias voltadas para a promoção da vida.
Com duração de seis meses, o curso reúne 25 moradores entre jovens, mulheres, homens e idosos, que receberão acompanhamento pedagógico, material didático, alimentação diária e ainda uma bolsa como incentivo à participação. Cada estudante também foi contemplado com um kit contendo livros, cadernos, boné, camisa, garrafa térmica personalizada e outros itens de apoio ao aprendizado.
A formação é conduzida pela educadora popular e psicóloga quilombola Raísa Rodrigues, que atua na integração entre o conhecimento tradicional e metodologias participativas. O objetivo é criar um espaço de troca de experiências, onde a comunicação ocupa papel central: preservar memórias, difundir saberes e fortalecer a luta por direitos.
O projeto é fruto de uma articulação que envolve o Ministério da Saúde, a Fiocruz, a CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), a CECNEQ/PB (Coordenação Estadual das Comunidades Negras e Quilombolas da Paraíba) e, em especial, a Prefeitura de Mogeiro, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, que garante suporte estrutural à iniciativa.
Mais do que capacitar agentes, a proposta reafirma a identidade do povo quilombola e a resistência de uma comunidade que segue transformando seus modos de cuidado em ferramenta de autonomia e de defesa da vida coletiva.
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