A Lei 13.100/15, que institui 20 de janeiro como Dia Nacional da Parteira Tradicional, e outras três normas aprovadas pelo Congresso Nacional para criar datas comemorativas foram sancionadas na gestão da Presidente Dilma Rousseff.
As parteiras tradicionais eram estimadas em 60 mil no País, assistindo a cerca de 450 mil partos por ano.
A data escolhida para festejar o Dia Nacional da Parteira Tradicional tem como base comemoração celebrada no estado do Amapá, que já homenageava a categoria em 20 de janeiro, por ocasião do aniversário da parteira tradicional mais antiga de Macapá, Juliana Magave de Souza. Juliana nasceu em 1908 e teria realizado mais de 300 partos.
A homenagem às parteiras tradicionais foi sugerida pela deputada Rose de Freitas (PMDB-ES). Segundo ela, esse grupo, representou durante séculos papel fundamental no nascimento dos brasileiros. A proposta recebeu apoio dos senadores.
Hoje em dia, embora sua importância relativa tenha decrescido, as parteiras, também conhecidas como aparadoras, ainda são responsáveis por 20% dos nascimentos na área rural, percentual que chega ao dobro nas Regiões Norte e Nordeste.
Muitos são os nomes dessas mulheres fortes, que fazem parte da história de vida de muitas pessoas, em vários lugares do Brasil.
Em Patos, sertão da Paraíba, Dona Neném Parteira, é um dos nomes até hoje homenageado pelos patoenses, que vieram ao mundo por suas mãos.
A Prefeitura Municipal de Patos, mantém na cidade o CRAS Severina Celestino, seu nome de registro, sendo muito conhecida como Dona Neném Parteira.
A sua neta, a jornalista Fatima Dantas, que inclusive quando criança, viu alguns dos nascimentos no quarto da sua casa, feito pela parteira, conviveu toda a sua infância vendo os instrumentos utilizados para os partos, que a sua avó cuidadosamente guardava em uma caixinha de ágata branca e a famosa bacia branca, também de agata Uma simplicidade de equipamentos, e uma grandiosidade no agir.
A pedido da Prefeitura Municipal, foi redigido pela neta Jornalista, uma biografia da sua avó Neném Parteira, um nome na história de Patos.
SEVERINA CELESTINO
* Nome de Batismo: Maria Severina de Souza
* Sobrenome Celestino, após casar com Pedro Celestino.
Conhecida por " Dona Neném Parteira"
Nasceu na Parahyba do Norte (hoje João Pessoa) em 15 de agosto de 1901, descendente dos "Oliveira", passou a usar o sobrenome "Celestino " após casar com Pedro Celestino.
Sua infância foi nas terras dos seus pais, uma grande área entre Gramame Mambuaba.Tinha uma única irmã Sebastiana; ficou órfã muito cedo antes de completar 15 anos.
As irmãs, sem conseguir dar conta das terras, venderam e se mudaram para uma casa às margens do Rio Sanhauá.
Na década de 30, vai residir em São José do Bonfim, para fazer partos em Patos e região, ficando muito conhecida como "Dona Neném Parteira" e se tornou uma renomada parteira.
Muitos filhos de Patos, nomes da sociedade, e da política, nasceram pelas mãos dessa renomada parteira, ajudando as mulheres a terem filhos, no tempo em que só existiam parteiras para fazer os partos
Casou com Pedro Celestino, comerciante, do ramo de cristal e porcelana, proprietário do Armazem São Pedro em Patos, com quem veio a se casar e teve 05 filhos.
Pedro Celestino era natural de Jaboatão dos Guararapes PE.
Seus (05) filhos: Luiz Celestino de Sousa, o mais velho Nego Coco, João Celestino de Sousa, Pedro Celestino de Sousa, Maria de Fátima Celestino de Sousa, e Paulo Celestino de Sousa, o mais novo dos filhos. Todos já falecidos.
Era muito solicitada pelos seus trabalhos e vivia a correr de casa em casa pelos sítios da redondeza. Trabalhou com os Doutores Arthur, Lauro Wanderley, Dr.Geraldo e Olavo Nóbrega; esse último veio ao mundo, inclusive, graças ao trabalho dessa afamada parteira.
Exerceu suas funções pela Casa de Saúde São Geraldo, de Dr. Estácio de Sá (genitor de Nelson Piquet), pelo Posto de Saúde da rua José Gomes Alves e, no Hospital Regional, e por fim, na Maternidade Peregrino Filho.
Trabalhou noites e noites sem dormir, e foi incansável para formar todos os seus filhos, que ela tinha orgulho de chamar de Dr.Pedro (Engenheiro Agrônomo, fazendeiro em Pernambuco) Dr.Paulo (geólogo no Piauí) e Dr.João (Engenheiro Civil, Ceará, por grandes obras como o Açude Óros e Barragem Banabuiú, tendo na cidade de Quixadá atualmente um Colégio com o seu nome em sua homenagem.
Fatima, pedagoga, se formou no internato em Catolé do Rocha, onde formava professora, as moças da sociedade paraibana.
Luiz (Nego Coco) foi o único que não quis fazer curso superior, mas até hoje é reconhecido por sua capacidade contábil, e inteligência, reconhecida e contada em livros de José Cavalcanti.
Falava que os estudos era a herança que iria deixar para os seus filhos, assim como fez para os seus 05 netos, filhos de Luis (Nego Coco): Pedro, Maria de Fatima, Paulo, Geraldo Margela e Emmanoel; netos que criou desde o nascimento, e viveram sob os cuidados da zelosa avó, até o dia da sua morte.
Residia na Rua Rui Barbosa 197, casa vizinha à antiga loja sertaneja.
Diariamente era vista na porta da sua casa, em sua cadeira de balanço, abençoando aos que passavam na calçada, e pediam a Benção de "Mãe Neném ou Madrinha Neném, como era conhecido por muitos. Uma história que perpetuou geração por geração.
Um fato marcante na vida dessa forte mulher, é que ficou viúva no ano de 1960, no dia do casamento do seu filho Luiz Na hora da festa na sua casa, ao filho pedir Abenção ao seu pai; Pedro Celestino, morreu nos braços do filho.
Seguiu sozinha criando seus 05 filhos e netos até a sua morte; homens dignos, de caráter publicamente reconhecidos assim como os seus pais.
Uma mulher de muito acolhimento e solidariedade, no jardim da sua casa, debaixo de um lindo pé de laranja, os pedintes, os necessitados, encontravam um local para repousar, na sombra do seu tão conhecido pé de laranja. E ela já deixava para dar comida e os deixasse descansar do sol quente da cidade, era um dos cantinhos de tantos conhecidos nomes que andavam pela cidade.
Na gestão do prefeito Edmilson Mota, recebeu o título de Cidadã Patoense, que na época foi entregue em um palanque armado na rua Solon de Lucena, nas imediações do antigo banco do Nordeste.
Uma mulher que acolhia e fazia o bem a todos que procurassem a sua casa; mesmo sentada na sua cadeira na porta da sala, os funcionários da casa serviam da mesma forma os necessitados, uma tradição que passou para filha que foi a única que não casou e ficou na Rui Barbosa, e posteriormente seus netos.
Na era adepta a festas, e não gostava de ser fotografada, a única foto que se tem de Severina Celestino, a única foto foi copiada do seu RG.
Um exemplo de mulher trabalhadora, honesta, íntegra, respeitada por todos ao seu redor, deixa o exemplo e o legado de uma parteira paraibana que deixou exemplos e muitos patoenses que vieram ao mundo por suas mãos
Veio a falecer em 10 de setembro de 1989, de infarto fulminante.
Se manteve lúcida e com saúde controlada para a sua cidade, até 08 dias antes de falecer, onde parou totalmente de andar e não reconhecia as pessoas; foi cuidadosamente cuidada pelos médicos da cidade, com acompanhamento de Dr Olavo Nóbrega, que veio ao mundo por suas mãos.
Se encontra sepultada no Cemitério São Miguel.
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